Entre o Bom e o Melhor.

Publicado em janeiro 27, 2012

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Já dizia Freud: “Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.

 

Mas, peraí… Não é a mesma coisa? Bom e melhor. Melhor e bom. Talvez sim, mas talvez não. Na real, não.
Bom é ter alguém para chamar de ‘seu’. Alguém para tirar fotos de porta-retratos. Alguém para caminhar de mãos dadas em casamentos ou aniversários. Alguém para estar acompanhado.

Bom é ter um emprego estável, estar registrado na carteira. Garantir sua aposentadoria, seus direitos a férias e décimo terceiro. Bom é ter dinheiro no bolso para pagar as contas, para pagar o almoço e quem sabe a pizza de final de semana.

Bom é estar presente na missa de domingo de manhã. Cumprimentar os vizinhos. Tirar um cochilo saudável durante a ave Maria. Bom é freqüentar a academia a noite. Todos os dias, manter a tal forma. Bom é conseguir agendar a consulta com o dentista para o intervalo do almoço de terça. Aliás, pura sorte, não vai precisar sair da rotina.

Bom é ligar para papai e mamãe domingo a noite e confirmar que está tudo bem. Ficar sabendo das novidades (choveu durante dois dias inteiros, o resto da semana foi de sol). Fazer o papel de filho, impecavelmente. Bom é ter bom gosto para os melhores cartões de natal. Aqueles com lacinhos dourados e vermelhos, mensagens tocantes e envelopes que custam mais caro que meu café semanal. Bom, muito bom mesmo.

Mas me atrevo a dizer, aliás, a concordar com o cara lá do topo do texto:
Poderíamos ser (muito) melhores.

Melhor se por medo da solidão, parássemos de pular na garupa da primeira bicicleta que passar do nosso lado. Melhor se nos esforçássemos um pouquinho mais pelas pessoas que realmente valem a pena. Cuidássemos de coração de tudo que é especial. Afinal, não são as plantinhas mais delicadas e bonitinhas que precisam de mais cuidados e atenção? Meu amigo, capim ainda nasce até em pedra.

Melhor seria partir de uma vez, se você já fez as malas. Mas se o café está à mesa, aproveite para se servir de uma ultima xícara. Melhor seria se conhecer. E isso exige muita observação diante do espelho. Como você pode esperar que alguém te suporte do jeito que você é, se sequer, você se aguenta cinco minutos sozinho? Melhor é se salvar quando possível, o resgate nem sempre chega em tempo.

Melhor seria não esquecer do que a gente gosta. Tudo aquilo que desperta uma faísca no olhar. Seja cortar a grama dos vizinhos ou vender um bloco inteiro de apartamentos recém construídos. Realização profissional tem muito mais haver com realizar o próximo, do que a gente pensa. Melhor seria não ter medo de arriscar, ou arriscar com cautela. Sempre vai existir um novo dia, uma nova manhã e uma nova chance.

Melhor seria se não existisse dinheiro. Se contas fossem pagas com favores e gentilezas. Se nosso contra cheque trouxesse ao invés de dígitos, mais confiança, mais empatia, mais paixão no nosso dia-a-dia, principalmente pelas pessoas que nos cercam. Melhor seria dormir até tarde no domingo. Não é para isso que serve o sétimo dia? Melhor seria encontrar Deus, Jeová, Maomé, Orixá, nossa fé, nossa bruxa, nosso Baltar, Nós. E então aprender a apreciar a paz, o silêncio da união quase invisível, mas existente (insistente) entre tudo e todos. O silêncio também é uma oração.

Melhor seria olhar no espelho e ver as rugas provando quantos sorrisos já estiveram ali. Melhor seria rir desse seu jeans maravilhoso que, mesmo depois de rolar ofegante do chão ao teto se recusa a fechar. Melhor seria apresentar o resultado de tantas seções de clareamento, distribuindo sorrisos. Melhor seria abraçar. Melhor seria ler um livro. Melhor seria estender a mão para quem precisa, sem se importar se as unhas estão feitas ou não.

Melhor seria convidar para um café. (Indireta? Não, imagine.)

Melhor seria estar perto de quem gosta da gente. Celebrar com um beijo e dois abraços! Afinal para elas seremos eternamente os melhores filhos, os mais bonitos, os mais especiais, os mais inteligentes, os mais talentosos, os Mais. São eles que vão nos amar incondicionalmente. Cuidar da gente enquanto o tempo permitir. Então, não deixe ser tarde demais para mostrar o quanto você ama seus pais.

Melhor seria falar o que a gente pensa, ou escrever sobre nossos sentimentos. Sejam eles de amor, amizade, gratidão ou mágoa. Entregar sem demora tudo aquilo que guardamos a 7 chaves. Deixar os cartões prontos de lado. Por um dia, seria melhor se fossemos nossos próprios mensageiros… Bater na porta de cada uma dessas pessoas, pedir um espaço, um minuto de atenção. E falar. Sem dúvidas, sem expectativas e sem medo.

O que será que iria acontecer? Não sei, mas com certeza seria muito melhor do que esperamos.

(Melhor seria se, ao invés de ler meus posts escondidinho, você comentasse também! Do lado de cá ia rolar aquele sorriso… )

Publicado em: Dica da Lis, Opiniões