Sine qua non

Publicado em janeiro 22, 2012

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Sine qua non ou condição sine qua non é uma expressão que originou-se do termo legal em latim que pode ser traduzido como “sem a/o qual não pode deixar de ser”. Será que vão me prender porque consultei a Wikipédia?

Até certo tempo atrás existia tantas coisas que eu julgava indispensáveis na minha vida, no meu dia-a-dia, no meu diário de bordo. Sem as quais eu jurava não poder viver. (Há-há-há.) Para minha própria surpresa meus sinais vitais provam o contrário com muita classe. Afinal, apesar dos pesares (que não foram poucos) estou aqui. Vivinha da Silva, como dizem.

Oi, mamãe!

Eu que não podia viver sem que no final de cada ligação ouvisse aquela pessoa dizer o quanto me amava. Eu que não podia viver sem pão de queijo, por exemplo. Eu que não podia viver sem pontualidade, chegar ao trabalho 5 minutos atrasada era o apocalipse na Terra. Dentre tantas coisas, eu não podia viver sem as minhas certezas, sem as minhas respostas, sem o Happy end fosse qual fosse a situação… Essa parada de copo meio vazio ou meio cheio não existia no meu curioso universo.

Quem eu culpo por essa mania louca e obsessiva de pontuar, marcar, acompanhar, seguir o script do começo ao fim? Eu culpo a Felicidade. Direto para forca, sem sequer uma ultima refeição. Ou melhor… A culpa fica nessa mania de seguir regras e não o que a gente traz por dentro, acreditando que esse é o caminho para ser feliz. Essa mania de interpretar tudo errado. Essa mania de acreditar que não existem meias verdades. Se até meias de mentira existem, por que não de verdade? Procure melhor na terceira gaveta. A busca incessante por escavar alguém melhor dentro de nós, que às vezes nos leva a brincar de teatrinho em frente ao espelho.

Veja bem, confesso que já fui 8 ou 80 até para escolher escova de dente. Mudei.  Mas não estou afirmando que hoje aceito tudo, acredito em tudo ou opto pelo que vier a calhar de primeira… Nana-nina-não. Continuo chata. Continuo odiando chegar atrasada ao trabalho. Continuo preferindo minha cama, meus filmes, meus livros à festas extravagantes madrugada adentro e coisas do gênero. Continuo não resistindo a pães de queijo quentinhos! Continuo perdidamente apaixonada por aquilo que acho que é, e traz o melhor de mim: As palavras.

A diferença é que aprendi que acontece de o ônibus atrasar. Acontece de alguém não te amar. Acontece de a gente não amar a pessoa certa. Porque pessoas certas não existem. Eu por exemplo, o desajuste em vida com nome e endereço. Acontece tanta coisa inrotulável. Existem tantas coisas sem etiqueta ao nosso alcance na prateleira, que o valor a gente só descobre na hora de pagar, lá no caixa. E então, será que o nosso cartão tem limite pra tudo isso?

Esquerda ou direita?

O meu Sine qua non hoje é básico. Preciso de longos banhos para pensar na vida. Preciso de café fresquinho para rolar aquela energia. Preciso de livros, pilhas de livros para acreditar que tudo vale a pena. Preciso do sol. Luz e calor ainda são indispensáveis. Preciso de chá de abacaxi, para me manter na linha. Preciso de muitas músicas tocando no fonezinho, para me achar e me perder. Preciso de uma caneta, pra quê? Pra saber quem eu sou.

*__*

Mas amanhã tudo pode mudar. Pode ser que essa lista diminuía. (Ou aumente, ou ocorram substituições. Quem sabe?) Mas uma coisa é certa:

Sine qua non… Eu.

Eu que não tenho definição. Eu que duvido e acredito em tudo. Eu que adoro gatinhos. Eu que digo sim, pensando que não. Eu que sonho, acordo e sonho de novo. Eu que nego, mas faço. Eu que luto batalhas quase sem fim, mas preciso dormir pelo menos 8 horas diárias. Eu que escrevo querendo muito – muiiito – que vocês leiam. Eu que odeio segundas-feiras. Eu que… Ah, vocês sabem, né?

Eu quero!

(Tem gente que não vive sem o namorado. Tem gente que não vive sem celular. Tem gente que não vive sem um bom vinho ao alcance. Tem gente que não vive sem praia no final de semana. Tanta gente com tantas necessidades extremamente vitais me faz pensar em que delicada situação colocamos nossas vidas todos os dias, risco tremendo!)

E pra finalizar, vou resumir o que eu penso em uma frase só, que nem minha é… Mas toda vez que leio ouço uma vozinha dentro de mim gritando: ‘É isso mesmo, nós concordamos com ela.’

“E do que precisamos? Anote aí, é pouca coisa: Silêncio, arte e amor.” Martha Medeiros

Publicado em: Dica da Lis, Opiniões