Sine qua non ou condição sine qua non é uma expressão que originou-se do termo legal em latim que pode ser traduzido como “sem a/o qual não pode deixar de ser”. Será que vão me prender porque consultei a Wikipédia?
Até certo tempo atrás existia tantas coisas que eu julgava indispensáveis na minha vida, no meu dia-a-dia, no meu diário de bordo. Sem as quais eu jurava não poder viver. (Há-há-há.) Para minha própria surpresa meus sinais vitais provam o contrário com muita classe. Afinal, apesar dos pesares (que não foram poucos) estou aqui. Vivinha da Silva, como dizem.
Eu que não podia viver sem que no final de cada ligação ouvisse aquela pessoa dizer o quanto me amava. Eu que não podia viver sem pão de queijo, por exemplo. Eu que não podia viver sem pontualidade, chegar ao trabalho 5 minutos atrasada era o apocalipse na Terra. Dentre tantas coisas, eu não podia viver sem as minhas certezas, sem as minhas respostas, sem o Happy end fosse qual fosse a situação… Essa parada de copo meio vazio ou meio cheio não existia no meu curioso universo.
Quem eu culpo por essa mania louca e obsessiva de pontuar, marcar, acompanhar, seguir o script do começo ao fim? Eu culpo a Felicidade. Direto para forca, sem sequer uma ultima refeição. Ou melhor… A culpa fica nessa mania de seguir regras e não o que a gente traz por dentro, acreditando que esse é o caminho para ser feliz. Essa mania de interpretar tudo errado. Essa mania de acreditar que não existem meias verdades. Se até meias de mentira existem, por que não de verdade? Procure melhor na terceira gaveta. A busca incessante por escavar alguém melhor dentro de nós, que às vezes nos leva a brincar de teatrinho em frente ao espelho.
Veja bem, confesso que já fui 8 ou 80 até para escolher escova de dente. Mudei. Mas não estou afirmando que hoje aceito tudo, acredito em tudo ou opto pelo que vier a calhar de primeira… Nana-nina-não. Continuo chata. Continuo odiando chegar atrasada ao trabalho. Continuo preferindo minha cama, meus filmes, meus livros à festas extravagantes madrugada adentro e coisas do gênero. Continuo não resistindo a pães de queijo quentinhos! Continuo perdidamente apaixonada por aquilo que acho que é, e traz o melhor de mim: As palavras.
A diferença é que aprendi que acontece de o ônibus atrasar. Acontece de alguém não te amar. Acontece de a gente não amar a pessoa certa. Porque pessoas certas não existem. Eu por exemplo, o desajuste em vida com nome e endereço. Acontece tanta coisa inrotulável. Existem tantas coisas sem etiqueta ao nosso alcance na prateleira, que o valor a gente só descobre na hora de pagar, lá no caixa. E então, será que o nosso cartão tem limite pra tudo isso?
O meu Sine qua non hoje é básico. Preciso de longos banhos para pensar na vida. Preciso de café fresquinho para rolar aquela energia. Preciso de livros, pilhas de livros para acreditar que tudo vale a pena. Preciso do sol. Luz e calor ainda são indispensáveis. Preciso de chá de abacaxi, para me manter na linha. Preciso de muitas músicas tocando no fonezinho, para me achar e me perder. Preciso de uma caneta, pra quê? Pra saber quem eu sou.
Mas amanhã tudo pode mudar. Pode ser que essa lista diminuía. (Ou aumente, ou ocorram substituições. Quem sabe?) Mas uma coisa é certa:
Sine qua non… Eu.
Eu que não tenho definição. Eu que duvido e acredito em tudo. Eu que adoro gatinhos. Eu que digo sim, pensando que não. Eu que sonho, acordo e sonho de novo. Eu que nego, mas faço. Eu que luto batalhas quase sem fim, mas preciso dormir pelo menos 8 horas diárias. Eu que escrevo querendo muito – muiiito – que vocês leiam. Eu que odeio segundas-feiras. Eu que… Ah, vocês sabem, né?
(Tem gente que não vive sem o namorado. Tem gente que não vive sem celular. Tem gente que não vive sem um bom vinho ao alcance. Tem gente que não vive sem praia no final de semana. Tanta gente com tantas necessidades extremamente vitais me faz pensar em que delicada situação colocamos nossas vidas todos os dias, risco tremendo!)
E pra finalizar, vou resumir o que eu penso em uma frase só, que nem minha é… Mas toda vez que leio ouço uma vozinha dentro de mim gritando: ‘É isso mesmo, nós concordamos com ela.’
“E do que precisamos? Anote aí, é pouca coisa: Silêncio, arte e amor.” Martha Medeiros









Guilherme Macario Silva
janeiro 22, 2012
Outro dia me perguntaram do que mais você precisa? Eu respondi com uma outra pergunta… Se você perguntar para um cego o que ele mais quer nessa vida, ele vai dizer, quero ver pelo menos uma vez, se você perguntar pra quem tem fome, ele vai responder comida. Todos nos temos nossos sonhos, todos nos temos direito de sonhar, infezlimente temos que desisti de muito deles pra seguir enfrente e enfrentar nova estrada, essa nova vai nos fazer feliz? Nunca sabemos se não tentar.
Adorei o post, pensativo como sempre, apenas senti ele como desabafo e também aprovetei meu momento.
=**
Demuner, Walter.
janeiro 22, 2012
Geeeeeente que eu adorei o seu texto Elis!
Pessoas se importam com tantas coisas fúteis nos dias de hoje que as básicas, porém necessárias, passam por despercebido.
É como sempre digo “hoje em dia pedir o básico é pedir demais.”
Adorei muito o post!
♥
JessBloG
janeiro 22, 2012
A gente sempre se limita mesmo. E quando somos postos à prova por nossos limites descobrimos magicamente que esses limites são irreais, porque sempre conseguimos ir além. Sempre sobrevivemos depois de perder a hora, de se atrasar, de terminar. Ás vezes dói, é verdade. Mas esse não é o ponto.
Por isso que a vida é muito mais fácil quando somos crianças, porque não vemos limites.
Lindo seu texto. Me fez pensar em muitas coisas pelas quais eu já passei. Um dia, quem sabe, eu te conto! ;**
lisgrabner
janeiro 23, 2012
Está cada vez mais perto o dia em que vc me contara coisas, eu te contarei outras… Ao vivo e a cores! Iremos rir, (beber) ouvir boas musicas (beber), talvez até dançar (dps de beber novamente), tirar fotos felizes, engraçadas e comprometedoras (dps de tanta bebida não tem como)… Hihi!
Beijão!
Flavia
janeiro 22, 2012
Texto lindo, Elis…faz a gente pensar! Isso é importante demais!
Parabéns!
lisgrabner
janeiro 22, 2012
Obrigada!
pois é, a vida é cheia de detalhes, cheia de reviravoltas… às vezes a gente precisa parar, que seja um pouquinho, pra pensar…
é como sentar no meio do furacão e ver tudo que está sendo arrastado ao nosso redor, inclusive nós…
Beijão! :*
Welton
janeiro 22, 2012
meee não fui o primeiro a comentar…to de mal!
mas voltando ao assunto… Elis quem te autorizou a por um detetive atras de mim?
muito massa!!! Acho que a gente tem que parar de ser aqueles cavalos de turismo que tem aqueles pedaços de couro nos olhos so pra ver pra frente (ou parar de ser um pouco 8 ou 80) e ver como todo o movimento é
hihihi
beijos ;**
Thata
janeiro 22, 2012
adorei o post!
primeira coisa q pensei, não vivo sem PC e internet… depois achei cruios, uns anos atraz essas definitivamente não seria as primeiras coisas q pensaria! e quer saber, acho q preciso mudar isso.
qual é a do cha de abacaxi? O.o
=***
Jéssica Gonzalez
janeiro 22, 2012
Pois é..
é bem isso… tudo isso!
Depois de tantas coisas, a gente descobre que não somos nenhum um pouco limitados. A excelência de ser um homo sapiens, é justamente possuir o dom da adaptabilidade. Somos incrívelmente, adaptáveis, a tudo!
adaptar : 1. Tornar apto.
2. Fazer com que uma coisa se combine convenientemente com outra; acomodar, apropriar.
=)
Parabéns pelo post, Lis!
Tatiani MJ
janeiro 22, 2012
Adorei o Texto
e o jeito como você falou das mudanças
todos somos assim as vezes de um jeito as vezes de outro
as vezes necessitada de uma coisas as vezes de outras
ou simplismente continuamos os mesmos
todos temos sonhos, e cada um tem o seu proposito para aquilo que deseja….
Muito lindo o texo mesmo ♥
Lopes
janeiro 23, 2012
Belo post…
As coisas nem sempre são o que parecem ser, e nos negamos a aceitar.
=**
desi
janeiro 23, 2012
Que post bacana… um dois mais bonitos.
:**
Jozinha
janeiro 24, 2012
“E do que precisamos? Anote aí, é pouca coisa: Silêncio, arte e amor.” Martha Medeiros
adorei isso!!! *—*
e ainda to esperando o texto dela que vc ia me passar!!!
beijaoooo
milleonaria
janeiro 26, 2012
Neste momento estou fugindo do trabalho e fazendo uma leitura silenciosa de alguns dos seus posts, que estava devendo minha leitura. Não comentei todos os que li, mas este tenho que dizer, essa conclusão, essa não necessidade das “coisas fúteis do passado”, se chama maturidade em minha opinião. É claro que isso não significa que vc nunca mais vai mudar de ideia porque agora está madura e tem uma opinião formada, como vc mesma sitou.
Eu, na minha imatura-maturidade, descobri que meu “Sine qua non” é realmente meu silêncio, minha paz interior. Até levei um susto quando li a frase! rss Eu preciso de tempo e silêncio pra respirar, pensar e depois esvasiar a mente numa meditação, e sinto muita falta disso pois por enquanto não estou podendo fazer… Sine qua non, arte e amor também. Frase perfeita, post de ótima categoria! Adoro-te! :*
Enfim, ambém concordo com a frase.