Tudo começou no inicio da semana retrasada, quando minha mãe ligou se convidando para me visitar em minha humilde morada. Na verdade, se convidando para passar uns dias n minha humilde morada em Palhoça City. Por incrível coincidência minha mãe já morou nessa cidade, quando era apenas uma mocinha e trabalhava como babá de uma família daqui. Viram? O espírito cigano viajante é herança…
Estava marcado. No próximo domingo eu iria encontrá-la na rodoviária. Dessa forma eu teria a semana toda para deixar tudo “nos trincks!” por aqui. Não que eu seja uma pessoa desorganizada em casa, na verdade sou bem chata com isso. Mas sou bem bagunceira em alguns detalhes do meu dia-a-dia, mas como é minha bagunça, eu me acho nela. Por exemplo, minha mesa de cozinha com suas respectivas quatro cadeiras, onde se acredita, deveriam ser servidas as refeições diárias… Bom, acontecem outras coisas.
Enquanto vos escrevo, sentada em uma cadeira, da citada mesa ao meu alcance tenho: Uma xícara de café, um caderno de notas que carrego na bolsa, um caderno de notas que fica em casa, o livro que estou lendo, o último livro que terminei de ler e falta escrever umas observações, a capa do seriado Battlestar Gallactica que estou assistindo, uma caixa de lencinhos para limpar o óculos, 3 canetas (sendo uma preta, outra vermelha e outra verde), meus fones de ouvido, meu celular, meu chaveiro de gatinho que ganhei no natal da Mille e ainda não decide onde colocar, uma cartela de remédio, meu óculos de sol, um clube social de bacon (baaaaconnnn *_* ) e alguns papéis amassados. Tudo esparramado e bem distribuído. Em resumo: Um verdadeiro caos.
A primeira coisa que minha mãe faria ao entrar pela porta seria soltar aquele típico suspiro de susto acompanhado de um olhar de desaprovação. Em seguida ela começaria erguendo um caderno e falando: “Mas o que é isso? Ôpa, caiu um papel… Mas por que tem um ticket de vale cerveja aqui?” Enquanto com a outra mão ela alcançaria um livro “O trono de for… fos… fogo? Que tipo de livro é? Mas isso é título de livro?” Diante dessa cena, eu estaria completamente atordoada andando em círculos ao redor da mesa como uma galinha tentando proteger seus pintinhos. Acredite, eu conheço minha mãe. E não é por nada que, como muitos sabem, eu a nomeava nesse blog como Sauron. (O olho que tudo vê.)
Ok, vou ser honesta. Faz quase dois anos que sai de casa para morar sozinha… Em suma porque a relação entre eu e minha mãe era algo muito… humm… Tempestuosa é uma boa palavra. E mesmo que na época eu já fosse maior de idade, pagadora de minhas contas, acho que só depois de sair do ninho me tornei independente de verdade. Levou muito tempo, muito mesmo para perdoar algumas mágoas. Algumas feridas, eu pensei que nunca fossem cicatrizar, mas o tempo, o tempo cuida de tudo. E durante as muitas mudanças, de residência, emprego, cargo que passei nesse período a tal relação mãe x filha ficou ali… ali… no cantinho. Quieta e silenciosa. Frágil como uma folha na ponta do galho. Melhor nem olhar, que vai cair…
Confesso que durante muito tempo tentei fugir das tentativas de aproximação de Sauron. Cachorro que apanha muito, sabe que é melhor não chegar muito perto outra vez. Mantive distância, mas sempre de um jeito educado. Enquanto ainda estava em Timbó, almoçávamos juntas uma vez por semana. Conversávamos 5 minutos por telefone sobre o tempo ou sobre quem havia morrido na família. E quando a distância ameaçava diminuir, eu repetia meu mantra: “Estou ocupada, estou trabalhando, tenho um compromisso, não ouvi o telefone tocar, preciso dormir mais cedo…”
Mas chega uma hora que a gente precisa baixar as armas.
Quando o perigo passa. Quando os machucados cicatrizam. Quando a chuva para de cair…
Voltando ao inicio de semana. Eu tinha tempo de sobra para deixar tudo ok. E é óbvio que eu deixei tudo para a ultima hora, no sábado a noite, sábado do qual eu tinha uma festa para ir. Como se pode imaginar o sábado foi uma loucura. Trabalhei até as 17h na loja. Cheguei em casa e tentei dar uma geral no lugar. Depois disso tentei organizar a mesa, onde certamente minha mãe gostaria de realizar as refeições ao invés de filosofar sobre a vida, o universo e tudo mais com meus livros e notas. Depois disso tratei de virar a capa do livro o “Anticristo” do Nietzsche na prateleira. Não seria uma boa ideia enfartar a minha mãe assim, logo de cara.
Agora só faltavam as compras que deixei para o domingo de manhã (minha mãe chegaria somente a tarde). Fui para a festa. Me diverti muito, obrigada! Mas na manhã seguinte não conseguia me decidir se deveria ter tomado mais algumas doses de whisky ou nenhuma. Minha cabeça dizia que não. Meu corpo que sim. Coisas que só se restam abobar-se. Mal humorada e com óculos de sol me dirigi ao mercado. A distância de duas quadras foi uma tortura e suspeitei que fosse morrer de insolação no caminho. Mas cheguei viva.
Minha mãe, como toda mãe, é extremamente chata com essas paradas de alimentação. Vive me interrogando via telefone sobre onde almoço, o que eu almoço, se usam azeite de oliva na preparação da comida onde eu almoço… Isso por telefone, imagina como é pessoalmente. Imagina se ela descobre que meus mantimentos se baseavam até então em bolachas, barras de cereais, shakes, café, torradas e gelatina? Além do sermão de três dias e três noites, eu receberia ligações sobre meu café da manhã e janta também. E isso certamente me levaria à loucura.
Saí entre as prateleiras do mercado jogando dentro do carrinho tudo que parecia necessário na cozinha de uma pessoa normal. Desde o macarrão até as batatinhas. E quando cheguei na parte dos temperos, parei e encostei o carrinho de lado. Bem no fundo, bemmm no fundo, tenho um lado meu que ainda tem esperanças de um dia quem sabe, aprender algumas receitas respeitáveis. Quando esse dia vai chegar é um enigma envolto em um mistério, mas é bom estar preparada.
Nós moscada? Pimenta do reino? Canela? Alho moído? Manjericão? Gengibre? Açafrão? Tudo no carrinho. Até alguns minutos atrás na minha casa não havia nem sal. E em alguns minutos até cebolinha desidratada, meus visitantes teriam a disposição. A vida, como dizem, é uma caixinha de surpresas. Voltei para casa e tratei de guardar tudo rapidinho, já era quase meio dia. Mas fiz questão de perder alguns minutinhos tirando lacres e abrindo embalagens para criar um clima de: “Hei, esta cozinha já produziu banquetes!”.
Tomei um banho, arrumei a cama. Conferi horários de ônibus, juntei 56415164 sapatos que estavam largados pelo chão. Peguei minha bolsa e ia saindo pela porta quando avistei as panelas ainda encaixotadas do lado do fogão, uma gafe que destruiria todo meu plano perfeito. Ok, tudo aparentemente ok. Cheguei à rodoviária atrasada. E lá estava a minha mãe. Deu até pena, juro. Toda perdidinha na cidade grande… Hihi!
Como foi a semana em que ela esteve aqui? Eu conto amanhã (se os gatinhos permitirem!). :*













Guilherme Macario Silva
janeiro 15, 2012
Esperando o próximo capitulo desse episódio. Mais nada como nossa bagunça organizada, eu tenho as minhas, e acredite quem ve me chama de louco, faz uma experiencia Lis, deixa ela arrumar sua casa, dúvido você achar algo. husahsuuahsa
No aguardo….
=*********
Thaata
janeiro 15, 2012
uhauhauhuhauhahhua muito bom >XD
cara ki noia, preparar toda a cozinha p parecer estar sendo usada, ate parece queles filmes q a guria compra uma janta um restaurante e coloca nas panelas e se suja um pouco p parecer q foi ela q o preparou lol.
cara o q são essas fotosssss? vomitei arco-íris.
=***
JessBloG
janeiro 15, 2012
Nossa que doidera! Eu sei cozinhar viu? ‘-’ Quem sabe não te ensino. .-.
Já havia reparado que já a algum tempo você havia deixado de chamar sua mãe de Sauron. uashuahsuashas
Esperando ansiosa pelo próximo post. (Foi por isso que você fugiu da net essa semana?) kkk
Beijos!
Welton
janeiro 15, 2012
hahahaha que doidera
tbm acho que qndo eu morar sozinho vou ter que criar um “estado de uso” na cozinha hahahaha
beijo
Lopes
janeiro 15, 2012
Essa semana promete… hehe
=****
Jozinha
janeiro 15, 2012
uahuahauhauh
adoreii esses gatinhos… entao aguardaremos para o restante…
=)
Jéssica Gonzalez
janeiro 16, 2012
Nossa Elis, quanta identificação que tive com esse post..
Quase que me vi nele! rs..
Amei … que coisa boa..
e também estou aprendendo que o tempo é o melhor remédio (é clichê, mas é verdade rs)…
Deu saudade da minha mãe tbm..
essa coisa de ‘auto-suficiência’ tem lá as suas muitas vantagens,mas as vezes dói..
Parabéeeeeeeeeeens pelo post!