Sexta-feira 13 do quadradinho de ver bem

Publicado em janeiro 13, 2012

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Normalmente acordo as 7h. Hoje acordei mais cedo. Já acordei nervosa, ansiosa e totalmente desgostosa com o primeiro compromisso da manhã: Consulta com o oftalmologista. Quem acompanha meu blog sabe que há exatos 2 anos ( LOL) venho procrastinando o veredicto mortal de cobrir parte da minha face com aqueles vidrinhos… Como chama mesmo? Ah, óculos. Isso mesmo.

Engraçado que quando eu era criança sempre quis usar. Aquela coisa de ver uma criança usando óculos ou aparelho nos dentes e querer também. Porque tudo que é diferente parece tão legal de longe? Ou será que é só tudo aquilo que não podemos ter? Vá saber. Bom, hoje estou crescidinha. E se eu pudesse escolher… Não, obrigada dispenso os pára-brisas. Mas eu não tinha opção dessa vez.

Tomei coragem com uma xícara extra de café e sem maquiagem (motivos óbvios) segui caminho ao consultório. Me consolei com a idéia de que logo estaria enxergando 100%. Já que nos últimos tempos a situação estava além do caos. A ponto de não conseguir reconhecer pessoas do outro lado da rua. Não conseguir identificar o letreiro do meu ônibus antes de ele estar praticamente em cima do meu corpo. Coisas da vida. (E eu sei que mereço uma surra por isso.) Enfim.

Sentei na cadeirinha do médico e quando ele com toda inocência me perguntou qual era o motivo da minha consulta, o que estava me incomodando afinal? (Muitas coisas, acredite doutor.) Eu soltei sem sequer parar para respirar. “Preciso de um óculos.” Ele me olhou com cara de dúvida, um pouco de descrença talvez. E confesso que gostei. Meu sonho era ele falando: “Não Elis, você não precisa de óculos! Isso tudo é uma pegadinha do Faustão e em seguida devolveremos sua visão. Agora, por favor, olhe para aquela câmera no canto e dê um tchauzinho para nosso publico em casa!”

Seria legal. Mas não foi por aí. Acabei em umas quatro cadeiras de exames. Inclusive fiz o nostálgico exame de letrinhas, onde literalmente não vi porcaria nenhuma – com o perdão da palavra. Em menos de cinco minutos eu tinha em mãos minha receita. A boa noticia é que todo o resto na minha visão está ok. O consultório ficava no terceiro andar. Segui a indicação do médico e parei numa ótica no térreo e fui atendida por uma moça que só podia ser irmã gêmea da Adele.

Eram balcões, vitrine e mais alguns demonstradores de mesa cheios de armações para escolha do cliente. Essa era a parte que eu sempre pensei que seria rápida e fácil. Afinal, nunca fui muito de provar, ficar na dúvida, enrolar, trocar, como as mulheres tem fama de fazer na hora das compras. Eu escolho, vejo se cai bem, vejo se cai bem no bolso e compro. Mal sabia eu a batalha que me esperava por trás daquela plaquinha simpática de “Bem vindo!”.

A cada armação quadradinha básica e preta que eu apontava, a moça me trazia (juro!) no mínimo cinco armações fofinhas. Com fofinhas traduzo: no rosa, branco, transparente, com strass, com borboletinhas e florzinhas. “Prova essa, e essa, e mais essa. Olha que perfeito o caimento dessa daqui!” Fiquei atordoada. E toda vez que eu provava uma das que eu havia escolhido, ela sequer disfarçava o desgosto. Em alguns momentos parecia que ela ia me esbofetear e em alto e bom digno som de uma Adele, gritar: “Você é uma ME-NI-NA! Tem que usar armações bonitinhas!!” Coisas que só acontecem comigo.

Depois de muita luta. Cara, muita luta mesmo. Consegui alcançar meus objetivos! *_*

Quando a moça me disse que no final da tarde eu poderia passar para pegar o óculos pronto, quase caí de costas. Ali mesmo, em cima do balcões de armações. Juro. Caramba! Hoje mesmo?? Em Timbó para receber um saca-rolhas tive de esperar 9 dias… Aqui para fazer um óculos completo, somente algumas horas? Eu entendi bem? Ah, civilização! Hihi…

No final da tarde, depois de esperar – ansiosa o dia inteirinho – chegou a hora. Admito que estava até mesmo (pasmem!) empolgada. Meio bobinha, sabe? Coisa de criança. Cheguei lá e coloquei o quadradinho. E vou dizer para vocês com as mesmas exatas palavras o que eu disse pra moça:

“É como ver de verdade, tudinho!”

Eu estava tannnto tempo adiando o inevitável que já havia me acostumado a… Não enxergar. Dá pra acreditar? (Ok, eu sei que mereço outra surra.) Fiquei boba. Então ela me pediu para tirar os óculos, e depois que eu tirei os óculos, ela falou: “Você consegue ler essa placa ali do outro lado da rua?” (cerca de 30 metros de distância.) “Não” eu respondi com toda sinceridade, até aquele momento nem sabia que aquela placa existia. “Então coloca os óculos e olha.” Coloquei e li letra por letra. Até as pequeninhas que a gente não deve ler! Me senti diante de um milagre. Em outra vida teria lavado os pés da tal Adele e pedido sua benção, afinal não é só Jesus que devolve visão aos cegos.

Sexta-feira 13 e seus milagres. Quem diria.

Até o momento o que posso dizer é como fui idiota em adiar tanto tempo algo tão simples. Até o tio Kerouac já aprovou minha escolha. ;)

E vocês, o que acharam?

Publicado em: Abobe-se