Lights will guide you home

Publicado em dezembro 22, 2011

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Depois de um sábado agitado devido todo o corre-corre de natal no comercio, tudo o que eu queria era deitar minha cabecinha no travesseiro e dormir. Nada de livros, cafés, filmes, seriados, compras, academia, barzinhos ou unhas por fazer. Até mesmo, nada de ‘blogar’. Chega um ponto em nossa vida que nossa única prioridade é dormir. Onde nossa obsessão é fechar os olhos. Onde nosso único reflexo natural é apertar o botão soneca do celular todas as manhãs. Coisas da vida.

Ultimamente minhas necessidades soníferas (?!) andam tão altas que todos os dias no ônibus por mais que eu lute contra, acabo caindo em cochilinhos… Cochilinhos dos quais sou arrancada de forma selvagem e brusca toda vez que o ônibus passa a toda velocidade por uma lombada. Ou quando em alguma rua em obras, nós passageiros podemos nos sentir – como disse um dia, uma senhora ao meu lado – em uma montanha russa do próprio Beto Carrero. Abobem-se. Às vezes também acordo com o cobrador me observando com um olhar de serena piedade.

(Ônibus são um dos lugares mais legais para você encontrar assuntos exóticos para falar, ouvir, escrever. Não exatamente nessa ordem.)

Então! Voltando ao assunto, sábado passado, depois de um dia longo, eu estava voltando para casa. Nesse dia de carona com a Sol (gerente da loja), logo sem a presença de cobradores serenos e senhoras engraçadinhas por perto. Apenas nós, garotas. E o cansaço. Nesse sábado ia acontecer uma mega apresentação de natal na praça aqui de Palhoça. Tinha lâmpada por todo canto, se bobear até nas lixeiras de esquina. Juro. Natal luz é um nome perfeitamente de acordo com o evento. Logo, qual nossa surpresa ao passar pelas ruas principais e encontrar tudo no escuro? Nem sequer um lampião, nem uma velinha ou ao menos um isqueiro marcando presença.

Tudo no apagão.

Chegamos aqui em casa e a história não era diferente. Nada de luz. Para ajudar o clima de festa, se aproximava uma tempestade daquelas… Decidi que era um bom dia para estreitar os laços afetivos com a Sol. Catei umas coisas em casa (notebook, livro pra ler no escuro lol, roupas e insulina) e fomos para casa dela. Chegando lá, adivinhem só… A história não era diferente. Aliás, era um pouco pior, já que sem energia não podíamos nem abrir o portão eletrônico. É mole?

Só nos restou abandonar o carro e ir até a casa da sogra que ficava do ladinho. Chegando lá nos sentamos nos degraus da escadinha, na porta da frente. Já passava das 21h. Tudo na maior escuridão. A tempestade que tanto ameaçou, já tinha feito as malas e partido, sem um pingo d’água. E quando eu olhei para o céu… Eu achei que fosse me perder ali. Fazia muito tempo que eu não encarava com calma, com tempo, no escuro essa vastidão de luz. Engraçado como sempre bate aquela vontade inexplicável de tentar contar todas as estrelas… Aquela vontade de fazer pedidos impossíveis… Aquela vontade de poder voar, alcançar o céu e se juntar aos pontinhos brilhantes

Quando eu era criança e ainda morávamos naquela primeira casa da minha infância no interior de Timbó (se é que isso é possível – desculpe, não posso evitar), lembro dos verões… Os verões quentes de Timbó, onde era impossível ficar dentro de casa. Os ventiladores nos seus marcantes ‘tec-tec’ não davam conta do recado e o jeito era esperar a temperatura baixar… O jeito era como minha mãe diz até hoje: “Pegar um ar fresco na rua”. Nesse caso no nosso gramado, em frente a nossa casa (fotos comprometedoras com rastéis indicam o lugar). Lá nos sentávamos para observar o céu enquanto o calor cedia. Eu e minha mãe.

Lembro de como era escuro, como a única luz era a das estrelas distantes no céu… Lembro que muitas vezes levava horas para vermos uma estrela cadente. Lembro de como minha mãe me ensinou a fazer pedidos… Nunca coisas materias. Lembro da primeira estrela cadente que eu avistei. Lembro de minha mãe perguntar se eu tinha feito meu pedido. Lembro (como se fosse ontem) de pedir para conhecer meu pai, tanto que eu queria. Lembro do silêncio, da fé, das esperanças em um sonho. Lembro de o calor ceder…

Nunca conheci meu pai. Eu não sabia mas, nessa época ele já havia falecido há alguns anos. Nunca contei isso para ninguém. Esse pequeno detalhe que me constrangia: Eu queria ter conhecido meu pai. Fosse um bom ou um mau pai. Meu pai. Mas hoje bateu a vontade de escrever. Meu pedido, eu devo ter feito tarde demais, ou talvez fosse um pedido grande demais para uma única estrela. Não sei… Mas lembrei de tudo isso enquanto encarava o céu estrelado, o lindo céu estrelado de Palhoça… Também lembrei que nesse mesmo gramado onde fiz meu primeiro pedido a uma estrela cadente, era raro mas, às vezes avistávamos aviões, minúsculos e distantes… E eu me perguntava se eram naves alienígenas que em alguns minutos destruiriam nosso lindo planetinha. (Meu Deus, isso que dá procrastinar as missas de domingo de manhã!)

Uma coisa é certa. Nem tudo que queremos pode ser nosso. Algumas coisas têm seu tempo certo. Outras nunca irão ter… Nem sempre as pessoas pensam como a gente, sentir então nem se comenta. Nem sempre a gente deveria esperar pelo ônibus no ponto. Às vezes o melhor é caminhar, noite afora, sob o céu estrelado. E quem sabe encontrar uma estrela cadente?.. Alguns pedidos nunca se realizam, é verdade, mas uma coisa é certa… Enquanto sonhamos acordados, o calor vai ceder.

“Pensando nas estrelas noite após noite começo a perceber que ‘as estrelas são palavras‘ e todos os incontáveis mundo da Via Láctea são palavras, e esse mundo também o é…” Jack Kerouac

O corre-corre de Natal continua firme e forte. Por essa razão devo retornar somente na próxima semana… Então colocarei livros, posts e principalmente o meu sono em dia!

Feliz Natal! :)

Publicado em: Infância, Opiniões