Enquanto isso, na padaria…

Publicado em novembro 30, 2011

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Como muitos sabem, eu adoro ler. Ler e escrever são a minha dose diária de paz. É o que eu preciso para funcionar bem, como um relógio bonitinho em dia. Tic-tac. Claro que nem sempre tenho a disposição o tempo ideal para ler, escrever, ler, escrever e ler. E escrever. Além de trabalhar no comercio, preciso dormir, adoro dormir. Sem contar meus novos hábitos saudáveis que vem me matando, literalmente, me matando de dor. Então é preciso aproveitar cada minuto. Insônia? Livro. Trânsito sem fim no caminho para o trabalho de ônibus? Ótimo, livro sempre está na bolsa mesmo. Almoço pertinho da loja? Vai dar tempo de fazer umas anotações para o próximo post!

Eu almoço praticamente todos os dias no mesmo lugar, que na verdade é um café bem bacana. Fica bem pertinho da loja, o café em si é maravilhoso, têm sanduíches naturais dos mais variados sabores e pães de queijo que são quase um pecado. Eu e meu livrinho nos sentimos muito a vontade por lá, obrigada. Mas como eu costumo pregar por aqui, é preciso mudar. Mudar é bom. Nem sempre é fácil, mas é bom e blablablabla. E hoje resolvi trocar o café por uma padaria ainda mais perto da loja. Cheguei ao lugar que tem um balcão típico de filme antigo em L. Sentei no ultimo banquinho do canto, sou assim, meio bichinho do mato. E foi dali que vi um liquidificador. Fiquei surpresa, porque até onde minhas visitas ao lugar permitiam saber eles serviam somente café, suco de laranja e demais bebidas tipo refrigerante, todinho, água e etcs.

Qual seria a misteriosa finalidade daquele liquidificado ali no balcão? Como num estalo me surgiu algo em mente alguns segundos antes da… -vamos chamá-la de – Rita vir me atender.
- Vocês fazem vitamina?
- Sim.
- Vou querer um copo!
Qual o meu problema com as vitaminas? É o que vocês devem estar se perguntando. Nenhum, na verdade como se percebe adoro elas! Taí mais uma coisa que me arrasta pra épocas cheias de boas lembranças da minha vida… Quando essa tal de vida nada mais era que correr pelo gramado verde durante o dia, subir no pé de manga, brincar de escolinha com os vizinhos e no final da tarde receber um copo fresquinho de vitamina de banana feita no liquidificador pela minha mãe. Hummmmmm! Então quando a Rita, moça da padaria, me serviu aquele copo grandão cheio de vitamina, até com aquela espuminha clássica… Confesso que fiquei sem graça. Aquela coisa de: “Você não acha que está grandinha demais para isso não?” Coisas da vida.

Mas quer saber? Estava deliciosa! Quase como nos velhos tempos. Enquanto eu bebericava devagarzinho, controlando os instintos nostálgicos infantis de apostas sobre quem virava mais rápido o copo, pude observar os outros clientes da padaria. Na real, eu estava verificando se alguém observava meu momento criança. Foi então que notei que a Rita sem qualquer sentimento de culpa estava super atendendo um cliente. Falando de uma forma clichê, ela só tinha olhos pra ele. Ao que parecia eles estavam tendo a conversa mais interessante do mundo, e mesmo eu não sendo uma perita em conversas mais interessantes do mundo, devo questionar esse ponto. Já que era impossível não ouvir o que eles falavam com o cara sentado ao meu lado! E ao menos no meu universo, capinhas de celular nunca foram motivo para sorrisos de orelha a orelha acompanhados de pulinhos felizes, ou ainda doses extras de café. Não mesmo.

Enquanto eu (tentava) ler meu livro – em meio a um sem fim de risinhos ao lado – e saboreava minha vitamina de banana sem açúcar o cara se levantou. Aparentemente, hora de voltar ao trampo. Então como se fosse um cliente qualquer ele pegou sua comanda, bebeu o ultimo gole do café extra e caminhou em direção ao caixa. A moça ficou na ponta dos pés olhando, como quem espera o ônibus dobrar a esquina para ter certeza que perdeu mesmo ele… E no último segundo, depois de pagar a conta ele se virou, com um sorriso de quem aprontou das grandes ele caminhou até o balcão onde a moça estava parada. E disfarçadamente (eu viii, estava atrás dela como um espectador na arquibancada) entregou um serenata de amor nas mãos dela… Meu coração saltou no peito, imagina o dela.

É mole? Virei meu copo e voltei pro trabalho também.

Ele tinha seus cantinhos e as suas rotinas. Eu, os meus livros. Nós dois, uma cama conhecida para dividir.” Elizabeth Gilbert