Como eu perdi o ônibus no meu primeiro dia de trabalho em Tubarão

Publicado em setembro 2, 2011

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Boa noite! De um quarto de hotel no terceiro andar na cidade de Tubarão, sul do estado de Santa Catarina, vos escrevo. Ontem meu – primeiro na cidade – dia foi longo, muito longo. Tudo começou as 5:30h da manhã em Timbó, na minha cama. Acordei com muito sono e só porque o celular já estava no ultimo volume do toque crescente…  No dia anterior estive finalizando os últimos preparativos da viagem então acabei indo dormir só depois da meia noite. Bom, vamos começar o dia com o pé direito né? Preparei aqueleee café. Ôpa! Agora sim!

Fui checar pela ultima vez minha bagagem, bolsa de colo com carteira, documentos, maquiagem, livro, bloquinho, caneta, chaves, barra de cereal, câmera, celular… Posso parar por aqui? Já deu pra entender que toda bolsa feminina tem ao menos uma passagem secreta para um universo paralelo onde os objetos ficam armazenados até serem solicitados, né? Ok. Bolsa com note, carregador do note, mouse… Ok. Frasqueira com (insira aqui mil produtos de uso pessoal feminino, alguns indispensáveis, outros necessários e uma grande maioria que está ali unicamente por ter sido indicado com boas referencias por outra mulher)… Ok.

Mala de viagem… Putz. A principio apesar de a mala ser absurdamente gigante e espaçosa eu iria levar somente uniforme, dois sapatos, pijama e livros. Até que alguém com uma vozinha inocente e sem maldade soltou no ar: “Se eu fosse você levaria tudo que coubesse na mala, melhor sobrar que faltar. Enche até onde der.” Realmente, se conselho fosse bom as pessoas venderiam. Depois de tudo conferido fui dar um chamego e alguns cheros na Jessie. Meu bichano monstro que vai me deixar com tanta saudade… Nesse período que vou ficar por aqui é a Angélica quem vai cuidar dela. O que deixou muitas pessoas temendo pela vida da gata. Conhecendo a Jessie, estou temendo pela vida da Angélica.

Saudade de alguém pulando no meu colo, tentando derrubar meus livros e roubando minha comida...

Para inicio de jornada eu precisava pegar um ônibus até Blumenau, porque é claro que não tem ônibus direto de Timbó a Tubarão. Não foi uma grande surpresa tal informação. Como ato final de bondade e gentileza minha (ex) gerente me deu uma carona até na nossa rodoviária, o que eu achei muito legal da parte dela, afinal quem acordaria as 5h da manhã para dar carona para um funcionário que além de morar no outro lado da cidade está indo embora? Conhecendo a dona Lourdes marquei com ela 5 minutos mais cedo na entrada da minha rua. Ela chegou humm… 10 minutos atrasada. Logo, estávamos 5 minutos atrasadas. Chegamos na rodoviária e por sorte a linha para Blumenau ainda não havia saído.

- Bom dona Lourdes, obrigada pela carona, obrigada por tudo sempre…
– Que isso Elis, isso é merecimento seu, imagina…
– Mas se não fosse a senhora, eu não estaria aqui…
– Se você não tivesse se esforçado e se dedicado você não estaria aqui…
– Mas se você não tivesse me ensinado grande parte…
- Mas Elis…

De repente começamos a rir, notamos que sem perceber já estávamos numa daquelas típicas discussões de loja Elis x Lourdes, amigáveis, porém famosas por não terem resolução – afinal as duas são difíceis na queda. Mas pela primeira vez não era sobre metas, cobranças ou horários… Era apenas um “Obrigado, foi bom trabalhar com você”.

Já no ônibus a caminho de Blumenau coloquei os fones de ouvido e tentei relaxar apesar do aperto no coração. No horizonte o sol nascia e eu me perguntava: Quando eu iria fazer aquele caminho outra vez? Toda vez que o ônibus parava (o que aconteceu inúmeras vezes já que era uma linha pinga-pinga) as portas se abriam do meu lado como um convite: Tem certeza que você não quer ficar mais um pouco? Hoje o dia vai ser lindo…

De Blumenau à Tubarão havia apenas duas linhas. A primeira saindo às 7:30h e a segunda às 17:00h. Geralmente o percurso Timbó x Blumenau leva no máximo 20 ou 30 minutos. Logo eu tinha 40 minutos de antecedência. Mas eu não contei com um detalhe, aquela linha era utilizada em grande maioria por estudantes e trabalhadores. O que acabava em paradas consecutivas… Às 7:20h estávamos em Blumenau e apesar de não faltar muito caminho para a rodoviária, era suficiente para o ônibus não chegar a tempo na velocidade que estava. Questionei o cobrador sobre a estimativa de chegada na rodoviária e como se aquilo fosse óbvio com um olhar de desprezo ele disse: “7:45h moça”.

Ferrou TUDO.

Percebendo meu desespero enquanto eu tentava em pânico ligar para a rodoviária para quem sabe tentar impedir, aliás, atrasar a partida do ônibus, o cobrador me sugeriu descer ali e na rua ao lado pegar um táxi. Me pareceu uma boa ideia, vocês não concordam? Afinal segundo o mocinho o ponto de táxi ficava há 150 metros. Lá fui eu pagar pelos meus pecados…

Gente, minha mala NÃO se movia. Não estou exagerando. Ela devia estar pesando no mínimo uns 40kg~50kgs. Junte a isso minha frasqueira, minha bolsa com o notebook, minha bolsa de colo. Enquanto eu arrastava minha mala na direção do possível ponto de táxi uma voz no fundo da minha consciência sem dó ou piedade me recriminava ardilosamente.

Tênis? Pra que trazer tênis? Você não corre há pelo menos uns 3 meses. Acha mesmo que vai virar uma maratonista de repente? 4 sapatos? Você realmente precisa de 4 sapatos diferentes para trabalhar? E me explica pra que você trouxe aquele sapo de pelúcia, porque eu ainda não entendi! Sinceramente Elis, já foi absurdo você trazer 9 livros. Mas eu reclamei? Não, fiquei quietinha, porque nós sabemos dos seus problemas. Mas me diz porque cargas d’àgua até o seu secador ta dentro dessa mala?

Como eu fui estúpida.

Pois é. É muito difícil ser auto repreendido. O que você pode fazer além de ficar repetindo como um tolo: “Eu sei… eu sei… eu sei… Mas, por favor… Me deixe!!” Coisas que só se resta abobar-se, eu sei.

Com muito esforço cheguei ao ponto de táxi, o taxista aparentemente de muito bom humor saiu do carro esbanjando sorrisos e me desejando bom dia. Bom, quanto a mim a coisa era inversa. Abri a porta do carro e entrei, eu precisava muito me sentar em um lugar confortável depois de tamanha prova de resistência. Enquanto isso o motorista abriu o porta-malas e inocente ergueu minha mala rosa. No mesmo instante ouvi: “Tem ouro nessa mala? Nossa se tiver divide comigo! Achei que estava cheia de coisas leves… Mas Santo Deus!!” Para uma mala rosa, até que ela podia fazer marmanjões chorarem, afinal.

Cheguei na rodoviária mas inevitavelmente o ônibus já havia partido. Entrei em pânico. O próximo ônibus seria das 17h e seria tarde demais, ainda mais levando em consideração que já me esperavam na loja desde ontem! E agora? Ligar para a Lourdes? Ligar para minha mãe? Voltar para Timbó? Enviar sinais de fumaça? Poderia também ligar para o meu supervisor e falar algo do tipo: “Hei, tudo bem? Pois é perdi meu ônibus no meu primeiro dia de gerente… Mas acontece né? Hehe!

Comprei uma passagem no primeiro ônibus saindo para Florianópolis – o que seria em 10 minutos. Afinal, uma vez na civilização (3 horas de ônibus dali) eu daria um jeito na situação… Deveriam existir outras linhas. Eu quase rezava para isso. Entrei no ônibus e a primeira coisa que fiz foi abrir uma barra de cereal. Depois de todo desgaste arrastando aquela mala demoníaca, estresse perdendo ônibus eu realmente precisava repor um pouco de energias. Abri meu bloquinho e comecei a fazer notas sobre esse post. Em seguida abri meu livro e iniciei a leitura, claro que com os fones já no ouvido e a minha música tocando.

Chegando em Florianópolis mais uma vez arrastando minha mala (que parecia cada vez mais pesada) fui até o guichê que fazia linha para Tubarão. E adivinhem só? Dali uma hora havia uma linha direta! A sorte estava do meu lado outra vez. Depois de comprar a passagem, fui ao banheiro, tomei um café, comi um sanduíche natural e já era quase hora de embarcar. Pode parecer pouca coisa para preencher uma hora. Mas tente fazer tudo isso entre um vai-e-vem constante de pessoas em um lugar fechado arrastando uma carga com quase seu peso. Já no ônibus me senti orgulhosa de mim mesma, agora era só uma questão de tempo. E realmente foi A QUESTÃO de tempo… Depois de 30 minutos de viagem o ônibus parou.

Assim parecia até fácil chegar lá.

Fiquei abobada. E quem não ficaria? Uma barreira havia caído, interditando quase a pista inteira. Até chegarem… (como é o nome daqueles carrinhos que brincamos na areia na infância? Patrola? Escavadeira?) Ah, essas coisas aí que carregam pedras, barros e às vezes cruelmente atropelam pessoas. Ficamos parados, sem mover sequer um metro na pista durante nada menos que DUAS HORAS. Sim, duas longas horas. E pra completar no lugar não tinha sinal. Não podia sequer ligar avisando do acidente… É, às vezes parece que essas coisas só acontecem comigo.

Depois de a pista ser liberada, seguimos rumo sem mais complicações. Também o que mais poderia me acontecer? Papai Noel cair com o trenó e renas em cima do ônibus? Eu não estranharia a aquela altura. Chegando na rodoviária, comecei a suspeitar que houvesse um cadáver na minha mala, porque quase não sentia mais meus braços e pernas. Certamente que eu havia jogado uma pedra na cruz em outra vida, porque aquilo não era normal. Peguei um táxi e cheguei ao hotel. Quando informei meu nome para a moça localizar a reserva, como quem diz “Seja Bem vinda!” a moça apenas me disse: “Já ligaram duas vezes da Colombo atrás de você.” Larguei minha bagagem – isso graças a Deus INCLUI a mala – no quarto, vesti meu uniforme e sai quase correndo em direção a loja. Na direção que me apontaram, já que nunca estive por esses lados.

A loja fica a menos de cinco minutos do hotel que estou hospedada e é linda, a equipe é composta em 99% mulheres (tem só um homem)! Hihi! E descobri que como mencionei no post anterior essa cidade realmente tem muito vento, o que eu particularmente gosto muito, mas são ventos tão… hummm… Frios!! Agora depois daquele banho quente bem loooongo, uma xícara de café eu realmente preciso dormir. Amanhã tem mais!

Bagagem da punição. T__T

:*

Publicado em: Abobe-se