É isso então…

Publicado em agosto 31, 2011

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Hoje foi meu ultimo dia em Timbó. E para minha alegria o dia estava lindo, especificamente do jeito que eu gosto. Um céu extremamente azul, um sol lindo, ventinhos durante todo o dia, a temperatura na medida certa; nem frio e nem quente. Parecia até uma espécie de presente de despedida. Como estive pelo centro resolvendo algumas coisas e aproveitando para me despedir de algumas pessoas não pude deixar de pensar em uma coisa.

Eu sempre morei aqui. Lembrei do natal que ganhei minha primeira bicicleta, ela era rosa e tinha uma cestinha onde eu levava meus bichinhos de pelúcia para passear no gramado verde do quintal. Minha mãe dizia que quando eu soubesse andar bem, eu poderia ir com ela até o centro da cidade pedalando… Mas primeiro precisava aprender bem, porque o centro era um lugar perigoso.

Há mais de 15 anos atrás não consigo sequer imaginar os perigos tenebrosos do centro de Timbó sem ficar petrificada de medo. Hihi! Hoje em dia deve continuar tudo igual, talvez com algumas placas a mais. Mas mesmo assim, pela primeira vez senti um aperto no coração em pensar que aquele cenário não faria mais parte da minha rotina, da minha vida.

Deixar o lugar onde eu havia criado minhas raízes. Onde eu havia caído meu primeiro tombo de bicicleta. Onde eu havia sido atropelada por uma brasilia amarela. Onde eu consegui meu primeiro emprego. Onde conheci meus melhores amigos. Onde comecei a escrever, de verdade… Foi aqui que eu me encontrei.

Mas chega uma hora que é preciso mudar. Ou você corre um sério risco de se olhar no espelho um dia e morrer de puro, hummm… Tédio.

Estou meio que cansada do mesmo mercado onde sei de cor o que tem em cada prateleira, da moça da padaria que já sabe meu nome e meus gostos de segunda-feira à domingo, das mesmas festas com as mesmas pessoas. Das mesmas ruas com as mesmas placas. Não me culpem, levei 22 anos para erguer o braço e reclamar. É uma reclamação educada afinal.

Acho que estou pronta para me perder outra vez.

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“Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias limitadas; só por isso muitas pessoas precisam muito viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas vegetando num cantinho do mundo a vida inteira.” Mark Twain

Publicado em: Abobe-se, Opiniões