Ecos, silêncio, paciência e graça.

Publicado em julho 26, 2011

14


Hoje parei para pensar. Para falar a verdade acabei pensando nesse assunto depois de um belo dia (ou seria madrugada) onde estive escrevendo minha mini biografia de bolso. Às vezes fico tentando encontrar minha base, meu ponto de equilíbrio. Já perdi horas, dias, meses, anos, paixões, sonhos, vitórias enquanto apostava no bilhete errado…

Sempre pensei que a palavra Fracasso estivesse estampada na minha testa por não ter uma família exemplar. Não ter uma família reunida nos almoços de domingo. Não viajar no natal para a casa de parentes do interior. Sempre imaginei que para felicidade isso fosse necessário. E eu costumava pensar que só poderia ser feliz depois de corrigir todos os defeitos, concertar os erros e perdoar as mágoas de cada membro de cada foto amarelada daqueles álbuns…

Eu cresci acreditando que um belo dia tudo se resolveria. Minha mãe certamente reconheceria os filhos maravilhosos que tinha, a vida boa que tinha conquistado apesar de todas as adversidades e obstáculos ao longo do caminho. Ela finalmente perceberia que todo esforço valeu a pena no final. E todas as feridas seriam curadas.

Muito mais. Obviamente eu só seria feliz de verdade e para todo o sempre se encontrasse A pessoa certa. Estava escrito nas estrelas. Um dia eu conheceria uma pessoa que saberia me valorizar pelos meus sonhos, pelos meus sentimentos e pelas minhas paixões. Alguém que quando me ouvisse ou lesse minhas palavras saberia exatamente onde eu queria chegar. Não seria necessário desenhar afinal. Ou não.

Recentemente uma pessoa me disse que eu preciso parar de assistir filmes ou idealizar coisas que não existem. Como se sonhar fosse um crime.

Parada e pensando acho que nunca terei a chance de concertar todos os erros do passado. Nem paciência para corrigir cada defeito, se eu começasse pelos meus próprios defeitos isso provavelmente varreria a eternidade afora… Mas eu posso perdoar as mágoas. Talvez eu nunca esqueça, porque é preciso lembrar-se do caminho que você pretende evitar. Mas eu posso optar por ao invés da ferida, dar lugar a cicatriz.

Quanto a outras decepções é impossível prever o amanhã. Eu pensei que o para sempre fosse difícil de alcançar, mas não impossível. Algo como o topo de uma arvore… Inocência minha, eu sei. O para sempre só dá para alcançar dentro de nós. Porque é lá que ele existe de verdade… É para sempre que podemos deixar a salvo o que é bom ou o que foi. A verdade do qual fugimos é que o amanhã não pertence a ninguém, e isso nos inclui.

Eu queria poder traçar meu caminho em um mapa. Preencher os horários de cada dia. Estipular o prazo máximo para realização de cada sonho. Decidir quando cada pessoa deve chegar ou partir… No meu mundo não existiriam segundas-feiras, os rios seriam feitos de café e quem diria “Eu não te amo mais” seria eu.

Se alguém criou o tapete foi pelo prazer de puxá-lo por debaixo dos pés dos bobos.

Mas alguém deveria avisar essa pessoa que as melhores mudanças sempre começam com um tombo. E a maior certeza que podemos ter é que não importa quantos sonhos carregamos – pesados ou não, quantos enganos cometemos ou quantas e quantas decepções estão por vir… Um céu azul, um sorriso e aquela música que você já ouviu um milhão de vezes e o dia já esta ganho… Uma foto antiga, um acampamento de final de semana, pizza com amigos e o mês passa voando. Uma xícara de café, um bom livro, palavras que se completam… E a vida já vale a pena.

Parabéns ao Poison Cup, dois anos consumindo seu tempo livre. ;)

Publicado em: Opiniões